O governador de Rondônia, Marcos Rocha, comunicou ao seu secretariado que não disputará o Senado nas próximas eleições, permanecendo no comando do Executivo estadual até o fim de 2026. A decisão acontece em um momento delicado para o governo, marcado por alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) sobre a fragilidade das contas públicas e pela avaliação de lideranças políticas de que o movimento pode ter caráter estratégico. O cenário fiscal preocupa especialmente áreas essenciais como Saúde, Previdência e Segurança Pública.
Governador desiste do Senado e mantém mandato até 2026
O anúncio feito por Marcos Rocha ao seu primeiro escalão surpreendeu parte do meio político. Ao descartar, ao menos por ora, a candidatura ao Senado, o governador assegura sua permanência no Palácio Rio Madeira até o término do mandato.
A decisão também afeta diretamente projetos políticos de familiares. Com o recuo, ficam enfraquecidas as possibilidades de uma candidatura da primeira-dama, Luana Rocha, à Câmara dos Deputados, assim como do irmão do governador, Sandro Rocha, à Assembleia Legislativa de Rondônia.
Bastidores políticos indicam movimento estratégico
Líderes políticos ouvidos nos bastidores avaliam que o anúncio não deve ser interpretado como definitivo. Para eles, o governador estaria testando o ambiente político e a receptividade do seu nome após perder o controle do União Brasil no estado.
Essa leitura aponta que a sinalização de permanência no cargo pode funcionar como uma forma de reorganização política, especialmente diante do enfraquecimento de alianças e do atual contexto administrativo.
Tribunal de Contas alerta para risco de colapso fiscal
Antes mesmo de comunicar sua decisão política, Marcos Rocha recebeu um alerta formal do Tribunal de Contas do Estado. O documento, assinado pelo conselheiro substituto Francisco Junior Ferreira da Silva, aponta que Rondônia enfrenta uma série de fragilidades fiscais que, se não forem corrigidas com urgência, podem levar ao colapso das contas públicas.
Segundo o relatório técnico, a situação ameaça a continuidade de políticas públicas essenciais, especialmente na área da Saúde. O texto destaca que o Estado acumula desequilíbrios capazes de comprometer a sustentabilidade financeira a médio e longo prazo.
Déficit na Saúde expõe risco à continuidade de serviços
Passivo milionário preocupa o Tribunal de Contas
Um dos pontos mais críticos identificados pelo TCE está na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A auditoria revelou a existência de despesas executadas sem cobertura orçamentária, resultando em um passivo estimado em R$ 360 milhões.
Esse déficit coloca em risco o funcionamento de unidades estratégicas, como o Hospital de Base. Um dos exemplos citados no relatório é a prestação de serviços na área neonatal, que ocorre sem contrato formal, baseada apenas em reconhecimento de dívida e pagamentos periódicos.
Reajustes na segurança elevam pressão sobre o orçamento
Aumento salarial não teve compensação fiscal
Outro fator que agrava o cenário fiscal é o reajuste escalonado concedido às forças de segurança. O governo encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto prevendo aumentos expressivos para oficiais da Polícia Militar e servidores da Polícia Civil, sem apresentar medidas claras de compensação financeira.
O impacto orçamentário é significativo. Em 2023, os gastos com a folha da segurança giravam em torno de R$ 1,2 bilhão. Com a conclusão das parcelas do reajuste, prevista para 2026, o valor deve alcançar R$ 2,2 bilhões.
Empréstimo bilionário e falta de projetos estruturantes
O Tribunal de Contas também chama atenção para o empréstimo de R$ 1 bilhão autorizado para obras no estado. Apesar da aprovação legislativa, o governo não apresentou projetos estruturantes capazes de fortalecer a arrecadação e garantir equilíbrio fiscal no futuro.
A ausência de medidas de aumento de receita ou controle de despesas levanta dúvidas sobre a capacidade do Estado de honrar compromissos financeiros de longo prazo.
Previdência e passivo da CAERD ampliam riscos futuros
A situação da Previdência estadual é outro ponto sensível. O relatório aponta atrasos no cumprimento de obrigações essenciais, que resultaram em pagamentos adicionais. Apenas nos meses de outubro e novembro, os valores extras ultrapassaram R$ 1,8 milhão.
Além disso, o conselheiro destaca a assunção do passivo da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD), estimado em cerca de R$ 1 bilhão. Esse compromisso representa mais um fator de pressão sobre as finanças estaduais nos próximos anos.
O recuo de Marcos Rocha da disputa ao Senado ocorre em um contexto de forte instabilidade fiscal e política. Os alertas do Tribunal de Contas expõem desafios estruturais que exigem respostas rápidas e decisões técnicas para evitar impactos diretos à população.
Caso não haja correções de rumo, áreas essenciais como Saúde, Segurança e Previdência podem enfrentar dificuldades ainda maiores. Politicamente, o governador terá de equilibrar a gestão da crise fiscal com a reconstrução de sua base de apoio, enquanto o cenário eleitoral de 2026 segue indefinido.
Fontes da informação
Tribunal de Contas do Estado de Rondônia
Rondoniagora

