Um diálogo reservado do governador Marcos Rocha com integrantes do primeiro escalão, que acabou vazando para a imprensa, trouxe à tona um dos momentos mais delicados de sua gestão. A possibilidade de desistir de uma candidatura ao Senado em 2026 coloca o chefe do Executivo estadual diante de um impasse político, administrativo e pessoal, em meio a pressões familiares, alertas do Tribunal de Contas e um cenário de instabilidade interna no governo.
Vazamento de conversa amplia crise política no governo
A divulgação de uma conversa privada envolvendo o governador Marcos Rocha e seu secretariado reacendeu especulações sobre o futuro político do chefe do Executivo. O conteúdo vazado indica a possibilidade de ele abrir mão de disputar uma vaga no Senado em 2026, decisão que precisa ser tomada de forma definitiva nos próximos três meses.
O episódio expôs fragilidades internas no governo, já que o vazamento teria partido de assessores próximos, ampliando a sensação de instabilidade e desconfiança no núcleo do poder estadual.
Pressões familiares pesam na decisão do governador
No campo pessoal e político, Marcos Rocha enfrenta forte pressão familiar. Sua esposa, Luana Rocha, é vista como um nome competitivo para a Câmara Federal, enquanto o irmão, Sandro Rocha, alimenta o projeto de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, com mandato a partir de 2027.
Essas ambições dependem diretamente de uma eventual saída antecipada do governador do cargo até o fim de março, o que permitiria a reorganização do grupo político para a disputa eleitoral. Esse fator tem sido apontado como um dos principais estímulos para que Rocha deixe o governo antes do término do mandato.
Aliados defendem permanência e foco no legado
Do outro lado, aliados que ganharam espaço após o enfraquecimento do ex-chefe da Casa Civil, Júnior Gonçalves, defendem que o governador permaneça no cargo até o fim do mandato. A avaliação desse grupo é que Marcos Rocha deveria priorizar a conclusão de sua gestão de oito anos, corrigindo falhas estruturais em áreas estratégicas do Estado.
A permanência permitiria, segundo esses aliados, a construção de um legado administrativo mais consistente, especialmente em setores sensíveis como saúde, finanças e infraestrutura.
Tribunal de Contas alerta para risco fiscal em 2026
Caso opte por continuar no cargo, o governador enfrentará um cenário desafiador no próximo ano. O Tribunal de Contas do Estado emitiu alerta sobre a necessidade de medidas urgentes para o saneamento das contas públicas, a fim de evitar uma possível crise fiscal.
Embora o secretário de Finanças minimize publicamente o problema, o alerta relacionado ao cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal foi formalizado e direcionado ao governo estadual, indicando preocupação com a sustentabilidade das contas.
Saúde no centro das críticas e cobranças
Entre os pontos mais sensíveis está a situação da Secretaria de Estado da Saúde. A ausência de cobertura orçamentária e financeira para despesas continuadas tem colocado em risco serviços essenciais, como a UTI Neonatal do Hospital de Base.
O cenário reforça críticas já feitas pelo deputado estadual Rodrigo Camargo, que defende a saída do secretário da pasta, o coronel Jefferson. Apesar do tom contundente adotado pelo parlamentar, o alerta do TCE dá respaldo às preocupações levantadas sobre a gestão da saúde.
Problemas antigos, como a sobrecarga do Pronto Socorro João Paulo II, seguem sem solução definitiva. Soma-se a isso a polêmica envolvendo o Fun-Heuro, com a aprovação de cerca de R$ 60 milhões para a aquisição de um campus de uma faculdade particular em Porto Velho, tema que ainda carece de esclarecimentos públicos mais detalhados.
Relação entre governador e vice segue estremecida
Ao contrário do discurso oficial, a relação entre Marcos Rocha e o vice-governador Sérgio Gonçalves está longe de ser harmoniosa. Ambos não são vistos juntos em compromissos públicos, e não há registros recentes de diálogo direto entre os dois.
Nos bastidores, circulou a informação de que cerca de 200 cargos poderiam ser entregues ao grupo de Sérgio Gonçalves como forma de recomposição política, caso Rocha deixasse o governo em março do próximo ano. A iniciativa buscaria evitar desgaste aos aliados do vice em uma eventual transição.
Feridas abertas e clima de desconfiança
Mesmo que a articulação tivesse avançado, interlocutores avaliam que a relação entre os dois está profundamente marcada por episódios passados. O irmão de Sérgio Gonçalves foi afastado da Casa Civil de forma pública e escoltado pela Polícia Militar, em um episódio considerado humilhante por aliados.
O próprio vice-governador também foi exonerado publicamente durante uma entrevista em um programa de televisão alinhado ao governo, sendo rotulado como traidor. Além disso, não é segredo nos bastidores políticos que documentos envolvendo membros da família Gonçalves foram encaminhados à Polícia Federal, aumentando ainda mais o clima de ruptura.
Considerações finais
O governador Marcos Rocha se encontra diante de uma decisão que pode redefinir não apenas seu futuro político, mas também os rumos do governo estadual. Entre a pressão eleitoral, os alertas fiscais e a instabilidade interna, o tempo se tornou um fator decisivo. Qualquer escolha, seja a permanência no cargo ou a saída antecipada, trará impactos diretos para o cenário político e administrativo de Rondônia nos próximos anos.
Fontes da informação
Rondoniagora

