Moradores responsabilizam o poder público e criticam ação da concessionária Energisa
Moradores de uma área ocupada na zona sul de Porto Velho bloquearam a estrada da Areia Branca neste sábado ao protestar contra o desligamento de uma rede elétrica clandestina realizado dias antes pela Energisa. O ato gerou tensão no trânsito e trouxe à tona o impasse entre ocupações irregulares, segurança elétrica e responsabilidade do poder público.
A tarde deste sábado foi marcada por um protesto tenso na estrada da Areia Branca, na zona sul de Porto Velho. Moradores de uma área invadida próximo à fábrica da Coca-Cola atearam fogo em pneus e interditaram a via, impedindo a passagem de veículos por vários minutos.
O motivo do bloqueio foi a operação de desligamento realizada na quarta-feira, quando a concessionária Energisa removeu uma ligação clandestina que abastecia a comunidade. Indignados, os moradores afirmaram que foram surpreendidos e chegaram a atribuir responsabilidade ao prefeito Léo Moraes, já que a área pertence ao Município.
De acordo com relatos de uma moradora, a comunidade abriga cerca de 107 famílias. Durante o protesto, muitas pessoas estavam com o rosto coberto, e famílias inteiras — incluindo mães e crianças — permaneceram na linha de frente da manifestação.
O clima de revolta foi intensificado pela denúncia de que a retirada da energia teria deixado famílias em situação ainda mais vulnerável.
Em nota, a Energisa confirmou o desligamento e explicou que a medida foi tomada por razões de segurança. Segundo a empresa, a rede utilizada na área era clandestina e apresentava sérios riscos, incluindo possíveis curtos-circuitos e acidentes fatais.
A concessionária destacou que operações desse tipo são realizadas para proteger os próprios moradores, já que instalações irregulares não seguem padrões técnicos e podem causar incêndios, choques elétricos e danos à rede oficial.
Situações como essa se repetem em diversas cidades brasileiras e expõem um conflito recorrente: o avanço de ocupações irregulares, a ausência de infraestrutura adequada e a dificuldade de atuação conjunta entre prefeitura, concessionárias e órgãos de assistência social.
Em Porto Velho, a ocupação em questão evidencia a carência de políticas habitacionais capazes de absorver famílias em situação de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que pressiona os serviços públicos e cria conflitos judiciais e administrativos.
Ligações improvisadas costumam ser feitas com cabos descobertos, sem aterramento e sem equipamentos de proteção, o que aumenta o risco de incêndios. Além do risco à vida, também sobrecarregam o sistema elétrico e podem causar quedas de energia na região.

Fontes da informação
Rondônia Agora

